O besouro do amendoim pode ser criado em recipientes relativamente simples, desde que a colônia tenha alimento disponível, condições ambientais adequadas e acompanhamento regular. Neste guia você aprenderá os principais cuidados para começar uma criação, manter os insetos, acompanhar larvas e pupas, evitar problemas e utilizar a colônia de forma contínua.
Este guia considera principalmente o besouro conhecido como Ulomoides dermestoides, pertencente à família Tenebrionidae. A espécie desenvolve-se em produtos armazenados e pode completar seu ciclo utilizando alimentos como amendoim, milho, aveia, arroz e sorgo.
O que é o besouro do amendoim?
O besouro do amendoim é um pequeno coleóptero capaz de viver e reproduzir-se em alimentos armazenados. Na criação doméstica, essa característica facilita sua manutenção porque não é necessário reproduzir um ambiente complexo com terra, plantas ou grandes instalações.
Uma cultura pode reunir adultos, ovos, larvas e pupas em diferentes momentos. Por isso, olhar apenas para a quantidade de besouros adultos não é suficiente para avaliar o desenvolvimento da criação.
Para conhecer características, identificação e outros assuntos relacionados à espécie, consulte também a seção Sobre o Besouro do Amendoim.
Como criar besouro do amendoim?
Criar besouro do amendoim não exige uma estrutura sofisticada. O objetivo inicial é fornecer um ambiente estável no qual os adultos possam permanecer, alimentar-se e reproduzir, enquanto as larvas encontram alimento suficiente para completar seu desenvolvimento.
Para uma criação básica, os pontos mais importantes são:
- recipiente adequado e seguro;
- ventilação suficiente;
- alimento em boas condições;
- controle do excesso de umidade;
- proteção contra outros insetos e contaminações;
- observação periódica da colônia;
- presença de diferentes fases do ciclo de vida.
Escolhendo o recipiente
O recipiente para criar besouro do amendoim deve impedir fugas e, ao mesmo tempo, permitir algum nível de troca de ar. Potes plásticos e outros recipientes de paredes lisas podem ser utilizados, desde que o fechamento seja adequado ao método escolhido.
O tamanho necessário depende da quantidade de insetos. Uma cultura inicial não precisa ocupar um recipiente enorme, mas também não é conveniente manter uma população crescente permanentemente em um espaço muito reduzido.
Um recipiente transparente apresenta uma vantagem prática: permite acompanhar parte da atividade da colônia sem precisar abri-lo constantemente.
Ventilação
A ventilação da cultura ajuda a evitar a retenção excessiva de umidade. Entretanto, grandes aberturas também podem facilitar a entrada de organismos indesejados ou permitir a fuga de indivíduos pequenos.
Por isso, quando são utilizadas aberturas de ventilação, uma tela ou material de malha suficientemente fina pode ajudar a proteger a cultura.
Mais experiências sobre recipientes, ventilação e manutenção serão reunidas na área de Criação e Manejo.
O besouro do amendoim precisa de substrato?
O besouro do amendoim vive associado a produtos armazenados, e estudos laboratoriais conseguem manter a espécie utilizando o próprio alimento no recipiente. Portanto, não é necessário criar um substrato úmido semelhante ao utilizado para minhocas ou outros organismos de solo.
Dependendo do método de criação, o próprio alimento e seus resíduos acabam formando a base na qual larvas e adultos permanecem.
Isso também torna importante acompanhar o fundo do recipiente. Com o tempo podem se acumular partículas de alimento, resíduos, exúvias e material fino produzido pela própria atividade da colônia.
O que o besouro do amendoim come?
A alimentação do besouro do amendoim pode incluir diferentes produtos armazenados. O amendoim é uma das opções mais conhecidas e também é utilizado em estudos de criação da espécie.
Outros alimentos documentados incluem aveia, milho, arroz e sorgo. Isso demonstra que a espécie não depende exclusivamente do amendoim.
Para uma criação inicial, manter o sistema simples facilita bastante o acompanhamento. Em vez de adicionar muitos ingredientes diferentes ao mesmo tempo, é possível começar com uma alimentação básica e observar o desenvolvimento da população.
Temos um conteúdo específico explicando a alimentação do besouro do amendoim, incluindo alimentos utilizados, quantidade e cuidados com deterioração.
Quanto alimento oferecer?
A quantidade de alimento deve acompanhar o tamanho da colônia. Uma cultura pequena consome menos que uma população com grande quantidade de adultos e larvas.
Em vez de estabelecer uma quantidade universal, observe quanto alimento permanece no recipiente e quanto tempo a colônia leva para utilizá-lo.
Se grandes quantidades permanecem durante muito tempo e começam a apresentar alterações, pode haver alimento em excesso. Se quase não existe alimento disponível e a população continua aumentando, pode ser necessário acrescentar mais.
Alimentos úmidos exigem mais cuidado
Alimentos com maior quantidade de água podem ser aceitos pelos insetos, mas modificam mais rapidamente as condições do recipiente.
Frutas, legumes ou outros alimentos úmidos podem favorecer aumento localizado da umidade e deterioração quando permanecem por muito tempo. Por isso, quando forem testados, é prudente utilizar pequenas quantidades e acompanhar o resultado.
Um alimento ter sido consumido não significa automaticamente que ele seja superior ou necessário para a criação. Testes devem considerar não apenas a aceitação, mas também reprodução, desenvolvimento e estabilidade da cultura.
Temperatura para criação
A temperatura influencia o desenvolvimento do besouro do amendoim. Em um estudo brasileiro realizado sob condições controladas, maiores viabilidades e menores tempos de desenvolvimento foram observados em determinados tratamentos mantidos a 21 °C e 24 °C.
Esse resultado é uma referência científica importante, mas não significa que uma cultura doméstica precise permanecer exatamente nessas temperaturas. Alimentação, umidade, recipiente e outras condições também interferem no resultado.
O mais importante na prática é evitar extremos e observar como a colônia se comporta nas condições reais em que está sendo mantida.
Umidade: por que é importante observar?
A umidade da criação merece atenção porque está relacionada à conservação dos alimentos e ao aparecimento de fungos e outros problemas.
Um recipiente extremamente úmido, principalmente quando contém grande quantidade de alimento deteriorável, pode tornar a cultura mais difícil de controlar.
Por outro lado, não existe vantagem em tentar modificar constantemente a umidade sem observar primeiro a resposta da colônia. O ideal é manter condições relativamente estáveis e registrar mudanças quando algum problema aparecer.
Reprodução do besouro do amendoim
A reprodução do besouro do amendoim ocorre dentro da própria cultura quando existem adultos sexualmente maduros e condições adequadas para desenvolvimento dos descendentes.
O ciclo apresenta quatro fases principais:
- ovo;
- larva;
- pupa;
- adulto.
Nem todas essas fases são igualmente fáceis de observar. Os ovos são pequenos e podem passar despercebidos, enquanto larvas maiores, pupas e adultos são muito mais evidentes.
Quanto tempo demora o ciclo de vida?
O tempo de desenvolvimento do besouro do amendoim varia conforme as condições de criação.
Em um estudo laboratorial realizado com amendoim como alimento, o período do ovo até o adulto foi de aproximadamente 68 dias. A fase larval ocupou a maior parte desse período e durou cerca de 60 dias nas condições estudadas, enquanto a fase de pupa permaneceu aproximadamente entre 3 e 5 dias.
Esses números devem ser utilizados como referência, e não como calendário obrigatório para qualquer cultura. Temperatura, dieta, umidade e densidade populacional podem alterar o desenvolvimento.
Para aprofundar esse assunto, acompanhe a seção Reprodução e Ciclo de Vida.
Como identificar uma colônia saudável?
Uma colônia saudável de besouro do amendoim não deve ser avaliada apenas pela quantidade de adultos visíveis. A presença de larvas em diferentes tamanhos e o aparecimento posterior de pupas e novos adultos indicam continuidade do ciclo.
Alguns sinais positivos que podem ser observados são atividade dos adultos, presença de alimento sendo consumido, larvas em desenvolvimento e renovação gradual da população.
Uma redução momentânea do número de insetos visíveis não significa necessariamente que a cultura esteja perdida. Parte da população pode estar em fases menos evidentes.
Quando a colônia começa a aumentar?
O crescimento da colônia não é imediato. Depois que os adultos são introduzidos no recipiente, existe um intervalo até que ovos sejam produzidos, larvas cresçam, pupem e novos adultos apareçam.
Por isso, mexer excessivamente na cultura durante as primeiras semanas pode dificultar a própria observação do processo.
Um trabalho realizado pela Universidade Estadual do Piauí também encontrou influência da densidade inicial de adultos e do manejo sobre a produção de larvas, reforçando que a organização da cultura interfere na produtividade.
Como fazer a manutenção?
A manutenção do besouro do amendoim pode ser relativamente simples quando a cultura está equilibrada.
Periodicamente, observe:
- quantidade de alimento disponível;
- estado de conservação dos alimentos;
- presença de larvas;
- presença de pupas;
- atividade dos adultos;
- umidade excessiva;
- fungos ou odores incomuns;
- presença de outros organismos.
Não é necessário desmontar completamente uma cultura saudável a cada inspeção. Intervenções excessivas também podem dificultar a estabilidade do sistema.
Quando dividir uma cultura?
A divisão da colônia pode ser interessante quando a população cresce bastante ou quando se deseja manter uma cultura de segurança.
Ter mais de uma colônia reduz o risco de perder toda a criação caso um recipiente apresente algum problema inesperado.
Uma estratégia simples é retirar parte dos indivíduos de uma cultura saudável e iniciar outro recipiente com alimento novo. Depois, as duas populações podem ser acompanhadas separadamente.
Problemas mais comuns
Os problemas na criação do besouro do amendoim geralmente precisam ser avaliados considerando o conjunto do ambiente. Alimentação, umidade, ventilação, temperatura e condição dos insetos podem estar relacionados.
Fungos
Fungos podem aparecer principalmente em alimentos ou regiões com umidade elevada. Quando um alimento apresenta crescimento evidente de fungos, a medida mais prudente é retirar o material afetado e revisar as condições que favoreceram o problema.
Mau cheiro
Uma cultura baseada principalmente em alimentos secos não deve depender de forte odor desagradável para funcionar. Mau cheiro pode indicar deterioração de alimento, excesso de umidade ou outro processo que merece investigação.
Redução da reprodução
Uma diminuição da quantidade de larvas ou novos adultos pode ter diferentes causas. Temperatura, disponibilidade de alimento, densidade populacional e condições gerais da cultura precisam ser avaliadas antes de atribuir o problema a um único fator.
Outros organismos no recipiente
Ácaros, pequenos insetos ou outros organismos podem ocasionalmente aparecer em culturas de alimento vivo. Nem todo organismo observado representa necessariamente uma ameaça, e fotografias nem sempre permitem identificação definitiva.
Quando houver suspeita de contaminação, o ideal é documentar o que foi observado, isolar a cultura quando necessário e evitar afirmar a identificação de uma espécie sem confirmação.
Os casos específicos serão reunidos em Problemas e Soluções.
Quando reiniciar uma cultura?
Reiniciar uma cultura pode ser mais seguro do que tentar recuperar indefinidamente um recipiente em condições muito ruins.
Isso pode ser considerado quando existe deterioração generalizada, contaminação que não está sendo controlada ou perda significativa da população.
Quando possível, indivíduos aparentemente saudáveis podem ser separados e transferidos para uma nova cultura. Entretanto, se houver risco de transportar junto a causa do problema, o isolamento e a avaliação devem ser feitos com cuidado.
Besouro do amendoim como alimento vivo
O besouro do amendoim também pode ser criado como alimento vivo. Diferentes fases podem ser utilizadas dependendo do tamanho e do comportamento do animal que receberá a presa.
Entre os grupos para os quais existem estudos, referências ou relatos de criação estão:
- peixes;
- anfíbios;
- répteis insetívoros;
- aves;
- aranhas e outros aracnídeos;
- outros invertebrados predadores.
As larvas são particularmente interessantes porque existem em diferentes tamanhos durante seu desenvolvimento.
Já utilizamos larvas na alimentação de anfíbios e também observamos besouros adultos sendo consumidos por peixes maiores, como Oscar. Essas observações representam experiências práticas e não significam que qualquer fase possa ser fornecida livremente a qualquer animal.
Veja informações específicas na seção Uso na Alimentação Animal.
Larvas, pupas ou adultos como alimento?
As larvas do besouro do amendoim oferecem maior variedade de tamanho e podem ser adequadas para animais pequenos. Pupas são imóveis e podem ser mais simples de oferecer em determinadas situações.
Os adultos também podem ser consumidos por alguns animais, mas merecem uma observação adicional. Besouros adultos dessa espécie possuem mecanismos químicos defensivos, portanto a aceitação da presa por um animal não deve ser usada isoladamente para concluir que grandes quantidades ou fornecimento frequente sejam adequados.
Por isso, experiências com diferentes fases serão documentadas separadamente antes de transformá-las em recomendações gerais.
Observe e registre sua criação
Uma das melhores formas de compreender uma cultura é registrar o que acontece ao longo do tempo. Datas, fotografias e pequenas anotações permitem comparar alterações que seriam difíceis de perceber apenas pela memória.
Informações úteis para registrar incluem:
- data de início da cultura;
- quantidade aproximada de adultos;
- alimentos utilizados;
- primeiro aparecimento de larvas;
- primeiras pupas observadas;
- aparecimento de novos adultos;
- mudanças de recipiente;
- problemas encontrados;
- alterações no manejo.
No Experiências e Testes, vamos registrar justamente esse tipo de acompanhamento, inclusive tentativas que não apresentarem o resultado esperado.
Erros comuns de quem está começando
Alguns erros podem tornar uma criação simples desnecessariamente complicada.
Entre eles estão adicionar muitos alimentos diferentes ao mesmo tempo, colocar grandes quantidades de alimentos úmidos, modificar constantemente o recipiente e considerar qualquer redução temporária de adultos como perda da cultura.
Outro erro é buscar uma fórmula rígida para uma criação que precisa ser observada. Temperatura ambiente, tamanho do recipiente, quantidade de insetos e alimentação podem variar de uma cultura para outra.
Como começar de forma simples
Para iniciar uma cultura sem complicação, utilize um recipiente apropriado, mantenha alimento seco em boas condições, garanta ventilação segura e introduza uma população inicial saudável.
Depois disso, acompanhe a cultura antes de realizar grandes mudanças. Observe o consumo do alimento e procure larvas ao longo das semanas.
Quando a reprodução estiver estabelecida, será possível testar outras formas de alimentação, comparar recipientes ou separar novas colônias.
Perguntas frequentes
O besouro do amendoim é fácil de criar?
A espécie pode ser mantida em condições relativamente simples e reproduz-se em produtos armazenados. Alimentação, temperatura, umidade, ventilação e densidade populacional, entretanto, podem influenciar o desenvolvimento.
Precisa usar terra?
Não é necessário utilizar terra como substrato obrigatório. A espécie desenvolve-se associada aos próprios produtos alimentares armazenados.
O besouro do amendoim come apenas amendoim?
Não. Estudos registram desenvolvimento também em produtos como milho, aveia, arroz e sorgo.
Quanto tempo demora para reproduzir?
O ciclo não acontece imediatamente. Em condições laboratoriais específicas, um estudo registrou aproximadamente 68 dias do ovo ao adulto. Esse período pode variar conforme as condições da cultura.
Posso criar apenas para produzir alimento vivo?
Sim. A produção de larvas é uma das aplicações possíveis da cultura, inclusive já estudada com enfoque zootécnico. O uso como alimento deve respeitar as necessidades nutricionais e o tamanho do animal que receberá a presa.
Como saber se a criação está funcionando?
A presença contínua de adultos, larvas em diferentes tamanhos, pupas e posteriormente novos besouros é um bom sinal de que o ciclo está ocorrendo.
Conclusão
Criar o besouro do amendoim pode ser relativamente simples quando o manejo começa com poucos elementos: recipiente adequado, alimento em boas condições, ventilação, observação e estabilidade.
A partir de uma cultura estabelecida, torna-se possível acompanhar o ciclo completo, multiplicar colônias, realizar testes de alimentação e produzir larvas ou outros estágios para diferentes finalidades.
Este guia será atualizado conforme novas experiências forem realizadas no próprio site. Resultados positivos, problemas, mudanças de manejo e testes que não funcionarem também poderão ser incorporados, sempre diferenciando observação prática, hipótese e informação científica.
Consulte os conteúdos sobre Alimentação, Criação e Manejo, Reprodução e Ciclo de Vida, Problemas e Soluções, Experiências e Testes e Uso na Alimentação Animal.
Referências utilizadas
MARINONI, R. C.; RIBEIRO-COSTA, C. S. Influence of temperature and diet on the development of Ulomoides dermestoides (Fairmaire, 1893) (Coleoptera, Tenebrionidae, Diaperinae). Brazilian Archives of Biology and Technology, 2001.
MORILLO-GARCIA, Y.; OLIVERO-VERBEL, J.; CABALLERO-GALLARDO, K. Life cycle of Ulomoides dermestoides (Fairmaire, 1893) (Coleoptera: Tenebrionidae) under laboratory conditions. Journal of Stored Products Research, 2016.
LIMA, G. C. M. Avaliação da produção de tenébrio do amendoim (Ulomoides dermestoides) com enfoque na alimentação de aves. Universidade Estadual do Piauí, 2025.
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