Quanto tempo vive o besouro do amendoim? A resposta mais correta é: depende das condições em que ele é mantido. Estudos com Ulomoides dermestoides apresentam resultados bastante diferentes, com adultos vivendo desde alguns meses até períodos muito mais longos em determinadas condições experimentais.
Essa variação é importante porque frequentemente encontramos na internet uma única estimativa de longevidade apresentada como se fosse uma característica fixa da espécie. Na prática, fatores como alimentação, temperatura, densidade populacional e condições da criação podem influenciar bastante quanto tempo os adultos permanecem vivos.
Quanto tempo vive o besouro do amendoim adulto?
A longevidade do adulto de Ulomoides dermestoides varia bastante entre os estudos disponíveis.
Um trabalho publicado por Dacanay e Cervancia, em 1989, criou os insetos utilizando diferentes dietas à base de milho. Os autores observaram:
- aproximadamente 60 dias de vida adulta em farinha de milho com levedura;
- aproximadamente 75 dias de vida adulta quando criados em milho moído.
Esses valores mostram que, mesmo dentro de um único estudo, a dieta utilizada já foi associada a diferenças na longevidade.
Um estudo brasileiro encontrou adultos vivendo cerca de 8 a 9 meses
Outro resultado bastante interessante aparece em um trabalho brasileiro sobre aspectos biológicos da espécie quando criada em grãos de amendoim.
Nesse experimento, a longevidade registrada foi de aproximadamente:
- 245 dias para os machos;
- 269 dias para as fêmeas.
Isso corresponde aproximadamente a oito meses para os machos e quase nove meses para as fêmeas.
Os pesquisadores também observaram que a longevidade diminuía quando os insetos eram mantidos agrupados, mostrando que a densidade da população pode ser outro fator importante.
Existem registros de besouros vivendo mais de um ano?
Sim. Há também trabalhos mais antigos com resultados ainda maiores.
Um estudo realizado em Ibagué, na Colômbia, sobre a biologia de Ulomoides dermestoides em amendoim registrou uma faixa muito ampla de longevidade dos adultos, aproximadamente entre 450 e 1.300 dias. Os autores chegaram a relatar adultos capazes de permanecer vivos por mais de 20 meses.
Esse resultado é muito superior ao encontrado em outros experimentos e, justamente por isso, deve ser apresentado com contexto.
Não significa que todo besouro do amendoim vá viver dois ou três anos em uma cultura doméstica. Significa apenas que, nas condições daquele estudo, alguns indivíduos apresentaram uma longevidade excepcionalmente grande.
Por que os números são tão diferentes?
Quando os resultados variam de alguns meses para mais de um ano, é natural perguntar qual deles está correto.
A resposta é que todos podem representar corretamente as condições específicas em que cada experimento foi realizado.
Entre os fatores capazes de influenciar a longevidade estão:
- temperatura;
- umidade;
- tipo e qualidade do alimento;
- quantidade de alimento disponível;
- densidade de adultos no recipiente;
- competição entre os indivíduos;
- condições gerais de manejo;
- características da própria população utilizada no estudo.
Por isso, não considero correto afirmar simplesmente que “o besouro do amendoim vive X meses” sem explicar de onde veio esse valor.
Longevidade do adulto não é a mesma coisa que ciclo de vida
Outro ponto que pode gerar confusão é a diferença entre tempo de desenvolvimento e longevidade do adulto.
Quando um estudo informa o período de ovo até adulto, está medindo quanto tempo o inseto levou para passar pelas fases:
ovo → larva → pupa → adulto
Isso não significa que o inseto morra quando chega à fase adulta.
Depois da emergência, o besouro adulto pode continuar vivendo por meses, alimentando-se, acasalando e produzindo novas gerações.
Em um estudo laboratorial mais recente, por exemplo, o desenvolvimento de ovo até adulto foi de aproximadamente 68 dias em determinadas condições. Esse número representa o desenvolvimento até a emergência do adulto, e não a duração total da vida.
Então qual é a duração total da vida?
Para estimar a vida total de um indivíduo seria necessário somar:
- fase de ovo;
- fase larval;
- fase de pupa;
- longevidade depois que se torna adulto.
Como tanto o desenvolvimento quanto a longevidade adulta mudam conforme as condições, também não existe um valor único para a duração total da vida de Ulomoides dermestoides.
Uma cultura pode parecer formada pelos mesmos besouros durante meses
Existe ainda uma dificuldade prática para quem mantém uma colônia.
Normalmente não sabemos a idade individual de cada adulto. Novos besouros estão emergindo enquanto outros adultos mais velhos continuam na cultura.
Por isso, olhar para um recipiente durante vários meses e perceber que ele continua cheio de adultos não significa que sejam necessariamente os mesmos indivíduos desde o início.
Uma cultura estabelecida pode possuir simultaneamente:
- ovos;
- larvas muito jovens;
- larvas grandes;
- pupas;
- adultos recém-emergidos;
- adultos mais antigos.
Essa sobreposição de gerações é uma das razões pelas quais uma criação saudável pode continuar ativa durante muito tempo.
É possível saber a idade de um besouro adulto olhando para ele?
Na criação comum, é difícil determinar com precisão a idade de um adulto apenas pela aparência.
Uma forma muito mais confiável seria acompanhar indivíduos desde a emergência da pupa e registrar a data.
Por exemplo, para realizar um teste de longevidade seria possível:
- separar pupas da cultura;
- aguardar a emergência dos adultos;
- registrar a data de emergência;
- manter os indivíduos em condições conhecidas;
- acompanhar periodicamente sua sobrevivência.
Esse tipo de acompanhamento permite descobrir quanto tempo os adultos vivem nas condições específicas da nossa própria criação.
Adultos mais velhos continuam reproduzindo?
As fêmeas podem permanecer reprodutivamente ativas durante uma parte considerável da fase adulta.
Estudos sobre a espécie mostram períodos prolongados de oviposição, embora novamente os valores mudem conforme as condições experimentais.
Isso ajuda a explicar por que culturas com adultos estabelecidos podem produzir novas larvas continuamente durante vários meses.
Entretanto, a presença de adultos vivos não significa necessariamente que todos estejam reproduzindo com a mesma intensidade durante toda a vida.
Densidade da cultura pode influenciar a longevidade
Esse é um resultado particularmente interessante para quem cria a espécie.
No estudo brasileiro que registrou aproximadamente 245 dias para machos e 269 dias para fêmeas, os pesquisadores observaram redução da longevidade quando os casais eram mantidos agrupados.
Isso sugere que uma cultura extremamente populosa não deve ser considerada automaticamente melhor apenas porque possui mais adultos.
Alta densidade pode aumentar competição por alimento e espaço e modificar outros aspectos do ambiente da criação.
Alimentação também pode fazer diferença
O trabalho de Dacanay e Cervancia é interessante justamente porque encontrou longevidades diferentes quando os insetos foram mantidos em dietas distintas.
Isso reforça um princípio importante: o alimento utilizado na criação não interfere apenas na quantidade de larvas produzidas. Ele pode influenciar desenvolvimento, sobrevivência e outros aspectos da biologia da população.
Para conhecer as opções utilizadas na criação, veja também os conteúdos de Alimentação.
Não existe uma idade exata para todos os besouros
Diante dos diferentes resultados publicados, considero mais correto trabalhar com faixas e condições do que tentar estabelecer uma idade máxima universal.
Alguns estudos registraram adultos durante apenas alguns meses.
Outros encontraram aproximadamente 8 a 9 meses.
Há ainda registros experimentais de indivíduos vivendo mais de um ano.
Portanto, a longevidade de Ulomoides dermestoides é variável e depende fortemente das condições em que os insetos são mantidos.
Quanto tempo dura cada fase?
A longevidade do adulto é apenas uma parte da história.
O besouro do amendoim passa por quatro grandes fases: ovo, larva, pupa e adulto. A duração das três primeiras também pode variar bastante conforme temperatura, alimentação e condições ambientais.
Para entender essas etapas em detalhes, consulte também os conteúdos de Reprodução e Ciclo de Vida.
Perguntas frequentes
O besouro do amendoim vive quantos meses?
Não existe um número único. Estudos encontraram desde aproximadamente dois ou três meses de vida adulta até oito ou nove meses, além de registros ainda maiores em determinadas condições experimentais.
O besouro do amendoim pode viver mais de um ano?
Sim, existem registros experimentais de adultos de Ulomoides dermestoides sobrevivendo por mais de um ano. Isso não significa que todos os indivíduos atinjam essa idade em uma criação doméstica.
Machos e fêmeas vivem o mesmo tempo?
Nem sempre. Em um estudo brasileiro, machos apresentaram longevidade de aproximadamente 245 dias e fêmeas de aproximadamente 269 dias. A diferença observada naquele experimento não deve ser tratada como uma regra fixa para todas as culturas.
Quanto tempo o besouro leva para se tornar adulto?
O tempo de ovo até adulto varia conforme temperatura, dieta e outras condições. Em um estudo laboratorial foram registrados aproximadamente 68 dias, enquanto outros experimentos encontraram períodos diferentes.
Ter muitos adultos significa que a cultura está velha?
Não necessariamente. Em uma cultura com reprodução contínua, adultos de diferentes idades podem coexistir. Alguns podem ter acabado de emergir enquanto outros já estão presentes há vários meses.
Conclusão
Perguntar quanto tempo vive o besouro do amendoim parece uma questão simples, mas os resultados científicos mostram que a longevidade de Ulomoides dermestoides pode variar muito.
Há trabalhos que encontraram adultos vivendo aproximadamente 60 a 75 dias, outros registraram cerca de 245 a 269 dias e existem observações experimentais ainda mais longas.
Por isso, em vez de estabelecer uma idade fixa, é mais correto considerar a longevidade como uma característica influenciada pelo ambiente, alimentação, densidade e condições de manejo.
Essa capacidade de permanecer adulto por períodos relativamente longos, somada à reprodução contínua e à presença simultânea de várias gerações, ajuda a explicar por que uma cultura bem estabelecida pode permanecer produtiva por muito tempo.
Referências
DACANAY, A. A.; CERVANCIA, C. R. Biology of Palembus (Martianus) dermestoides Chevrolat (Coleoptera: Tenebrionidae). Philippine Entomologist, v. 7, n. 5, p. 471-477, 1989.
WANDERLEY, V. L.; SILVA, H. F. M. Aspectos biológicos de Palembus dermestoides em grãos de amendoim. XII Congresso Brasileiro de Entomologia.
VERGARA RUÍZ, R. A.; ESCOBAR SOTO, C.; GALEANO OLAYA, P. E. Ulomoides dermestoides: aspectos sobre biologia e capacidade de consumo em amendoim (Arachis hypogaea L.). Aconteceres Entomológicos, 1997.
MORILLO-GARCÍA, Y.; OLIVERO-VERBEL, J.; CABALLERO-GALLARDO, K. Life cycle of Ulomoides dermestoides under laboratory conditions. Journal of Stored Products Research, v. 69, p. 272-275, 2016.
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